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Estrutura de Concreto, São Paulo

Comunidade da Construção leva ao Concrete Show cases emblemáticos de seus 10 anos de atuação

Construção artesanal, empresas locais, mercado desaquecido. Este era o cenário do setor da construção em 2002, quando a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) lançou em Belo Horizonte, durante o ENIC, a Comunidade da Construção. A iniciativa, que tinha o objetivo de integrar os agentes do setor e melhorar o desempenho dos sistemas construtivos à base de cimento, ganhou na época a adesão imediata de importantes parceiros, como a Abesc (concreto), o IBTS (telas soldadas) e o Sinduscon (construtoras). Logo, o movimento conquistou outras cidades brasileiras e novos parceiros, colaborando para modernizar a construção civil brasileira.

Ao completar 10 anos de atividades, a Comunidade da Construção ostenta números que comprovam seu sucesso: 15 polos atuantes, envolvimento de 400 construtoras, 76 fornecedores e 37 entidades, mais de 30 mil profissionais capacitados, mais de 180 ativos gerados e 37.500 participantes. A realidade atual da construção civil também é outra: mercado aquecido e exigente, focado em produtividade e tecnologia, guiado por empresas de expressão nacional. A transformação foi apresentada pela coordenadora do movimento, engenheira Glécia Vieira, durante a abertura dos seminários promovidos pela Comunidade no 6º Concrete Show, realizado no fim de agosto em São Paulo. Veja como foram os eventos:

Seminários

29/8 - Seminário Racionalização dos Sistemas Construtivos à Base de Cimento
O objetivo foi apresentar e discutir as boas práticas e procedimentos dos principais sistemas à base de cimento, resultados obtidos nos 10 anos de trabalho da Comunidade da Construção. O evento abordou cases de sucesso em temas como: Produtividade da mão de obra na execução de estrutura de concreto armado; Viabilidade e execução da Alvenaria estrutural; Ganhos na implantação do Projeto de Revestimento de Argamassa; Parede de concreto em edifícios altos;?e Melhores práticas de execução da alvenaria de vedação.

30/8 - Seminário Argamassa Projetada: Sistema de Revestimento Racionalizado
Apresentou e discutiu procedimentos, materiais e equipamentos do sistema mecanizado de aplicação do revestimento de argamassa, tema em franco debate na Comunidade. O encontro contemplou; Argamassa projetada como alternativa de racionalização; Sistema de mecanização; Recursos para implantação: materiais x equipamentos; Implantação do Sistema (casos reais). No mesmo dia 30/8, a Abesc realizou o Seminário Paredes de Concreto, evento apoiado pela Comunidade e ABCP.

Opinião

Produtividade e recursos humanos
O prof. dr. Ubiraci Espinelli (USP), palestrante no tema "Produtividade da mão de obra na execução de estrutura de concreto armado", observou que a melhoria da produtividade resulta da conjugação dos esforços e a Comunidade oferece essa possibilidade ao integrar vários agentes, como o fornecedor de materiais, o construtor, empreiteiro, projetista, gestor, tecnólogo. "Ela tem várias ações importantes. É uma alavancadora de ações primordiais de melhorias", afirmou. Segundo ele, essa postura deve ajudar o setor, que vive o ingresso de muitos operários ainda despreparados e gestores inexperientes em atividades muito importantes. "Além dos operários, que carecem de ser treinados, a Comunidade tem o papel de sensibilizadora, formadora e integradora de esforços, principalmente dos gestares da construção."

Novas tecnologias
Palestrante no tema "Parede de concreto em edifícios altos", o engenheiro Alexandre Pedral Sampaio (OAS) destacou o papel da Comunidade na incorporação de novas tecnologias e soluções construtivas ao repertório das empresas. "Em tudo que envolve o material cimento a Comunidade está presente, incentivando com treinamentos, indicações, seminários. Podemos ver que a relação da Comunidade com os construtores e destes com as opções construtivas está bem amadurecida e a parceria deve continuar", afirmou.

Cultura empresarial
Apresentador de um caso de sucesso na palestra "Melhores práticas de execução da alvenaria de vedação", o engenheiro Lucian Fragoso (Conic & Souza Filho) afirmou que a Comunidade tem ajudado as empresas a modernizar seu modo de produção e sua cultura de trabalho. "Todos os exemplos apresentados no seminário foram fomentados pela Comunidade da Construção e são cases de sucesso, de multiplicação de resultados. Em Recife, a Comunidade tem total adesão; 95% das construtoras da cidade querem participar dos novos desafios, porque eles ajudam o setor a superar dificuldades normais, como a falta de mão de obra especializada. A Comunidade ajuda as empresas a crescerem tecnicamente", disse Fragoso.

Racionalização e industrialização
O engenheiro Eduardo Bilemjian (Bilenge), palestrante do painel "Viabilidade e execução da Alvenaria estrutural", disse que sua empresa entrou na Comunidade para viabilizar especificamente uma obra e acabou incorporando o sistema construtivo ao seu know-how. Ele considera positivo, especialmente, a possibilidade de multiplicação das soluções encontradas. "A industrialização da construção é uma necessidade e estamos caminhando para isso. A participação da ABCP e da Comunidade nesse processo é imprescindível e o Sinduscon é parceiro de primeira hora", observou. Para ele, a contribuição da Comunidade é real porque ela contribui com o compartilhamento das informações. "Nosso objetivo é fomentar o desenvolvimento da engenharia", concluiu.

Resultados concretos
Representando a maior construtora capixaba, o engenheiro Júlio Ramires (Lorenge) proferiu a palestra "Ganhos na implantação do Projeto de Revestimento de Argamassa". O tema foi tratado em profundidade em diversos polos da Comunidade ao longo dos últimos anos e em Vitória-ES alcançou resultados exemplares. "A introdução de uma nova metodologia de trabalho em relação às fachadas gerou: inibição de patologias, redução significativa de assistência técnica pós-entrega por problemas na fachada (queda de 50%), redução de custos totais de 4% na obra e aumento de produtividade de 5%", explicou o engenheiro. A obra em questão se tornou referência para garantir uma nova cultura na empresa, apoiada em treinamentos regulares e convênios com o Senai (parceiro da Comunidade).

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