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Estrutura de Concreto, Rio de Janeiro

Logística no canteiro de obras

A Comunidade da Construção do Rio de Janeiro realizou, em 23/08/12, no auditório do Sinduscon-Rio, mais um seminário para empresários, profissionais ligados ao setor e estudantes de engenharia e arquitetura. A novidade foi o tema abordado, inédito e de suma importância na busca de soluções para uma maior produtividade e organização da produção de obras: a logística no canteiro de obras. Para explorar o tema, a Comunidade da Construção trouxe para o Rio profissionais que estão fazendo a diferença e que têm muito que contar, entre as melhores práticas espalhadas pelo país. O tema foi amplamente debatido pelos engenheiros Rosana Leal, professora e sócia da Rosana Leal Consultoria, de Salvador; Anivaldo Antunes, da Gabriel Bacelar Construções, de Pernambuco; Clarissa Ferro, da Construtora Cury, de São Paulo; Guilherme Andrade, da Macro Engenharia & Consultoria, do Rio de Janeiro; e pelo empresário Vitor Natenzon, diretor da paulista Anvi Comércio e Indústria. Cada um falou de suas experiências, mas todos concordam em um mesmo ponto: canteiro de obras planejado e organizado significa maior produtividade, menos desperdício, redução de custos e otimização do tempo.

Logística é planejamento

"Logística aplicada à construção civil" foi o tema da palestra de Rosana Leal, que abriu o evento. "A logística na construção civil não é uma moda passageira. É a forma de tentarmos voltar a estudar engenharia. Logística é planejamento, compromisso com resultados e, mesmo, com a segurança. Muitos acidentes poderiam ter sido evitados com logística. Mas as construtoras, em geral, não se convenceram ainda da importância da logística no canteiro de obras. Até porque não sabem o quanto podem ganhar e perder", disse ela.

Segundo ela, "logística é apenas um nome vendável. Estamos falando de planejamento. É preciso estudar sua obra, conhecer os equipamentos, os fornecedores, olhar o entorno da obra e, principalmente, acabar com o tradicional 'quando acontecer a gente resolve' ". No seu entendimento, logística é estratégia. "Um exemplo que gosto de citar é uma empresa que queria fazer economia e não estabeleceu a compra de paletes. Resolveram usar os paletes emprestados pelos fornecedores. Mas esses paletes não cabiam nos elevadores e, assim, o material era carregado manualmente. Imagina o tempo perdido ao longo de toda a obra!", concluiu.

Construção enxuta

O tradicional índice de desperdício de uma obra pode ser reduzido em um terço, segundo o engenheiro Anivaldo Antunes. E o primeiro passo firme em direção à redução do desperdício, determina ele, é aplicar o conceito de construção enxuta no canteiro de obras - filosofia japonesa criada após a 2ª Guerra Mundial, baseada no sistema Toyota de produção, que utiliza a logística para aumentar o fluxo de produção e reduzir desperdício e custos. Em sua palestra intitulada "Logística no canteiro de obra vertical, utilizando os princípios da construção enxuta", Anivaldo defende a compatibilização de projetos, o que nada mais é do que estudar a obra antes de sua execução.

"Não se pode perder o controle do canteiro de obras. É preciso saber tudo o que está acontecendo. Temos várias ferramentas de controle, como o Andon, um painel de luzes verde, amarela e vermelha, que sinaliza o movimento de cada andar. Ou a Heijunka box, um quadro para controle e solicitação de material. É preciso estar comprometido com a melhoria contínua e investir em treinamento. A criatividade é, às vezes, mais importante que investimentos. Vamos pensar e arriscar", defendeu ele.

Aplicação em obras horizontais

Clarissa Ferro falou sobre a "Logística de obras horizontais em sistema de parede de concreto". Ela coordena obras horizontais - conjuntos de dezenas de prédios de um mesmo empreendimento, ou seja, um gigantesco canteiro de obras, com custos elevadíssimos. "É difícil pensar em um canteiro produtivo, sem a aplicação de uma logística. Imagine o recebimento de fôrmas. É um material muito caro. Sem logística, pode amassar, perder uma peça, enfim, é preciso pensar essa etapa. O recebimento de aço também é um bom exemplo. É preciso planejar a entrega com as siderúrgicas. Não há qualquer dúvida de que uma obra horizontal bem planejada terá um resultado completamente diferente de uma obra sem logística", garante ela.

Novos equipamentos

Victor Natenzon trouxe, em sua palestra "Novos equipamentos auxiliando na logística de obras", exemplos da empregabilidade da tecnologia em todo esse processo. Ele citou um misturador de argamassa de eixo horizontal que alcança uma mistura de argamassa muito mais homogênea do que os métodos tradicionais, com propriedades de aderência e resistência superiores. Esse misturador pesa de 120 kg a 150 kg e tem apenas 70 centímetros de largura, o que permite levá-lo para qualquer andar da obra. "A obra fica mais limpa e mais produtiva, porque libera o uso do elevador, um dos gargalhos de uma obra vertical. Isso é logística", disse. Outro exemplo é um equipamento de projeção de argamassa, por meio da força do ar comprimido. Trata-se, diz ele, de um método muito mais rápido que o processo manual. "Cinco pedreiros bons fazem manualmente 125 m² de parede, enquanto o mesmo grupo de profissionais faz 600 m² com a utilização desta máquina. A tecnologia está a serviço da logística", conclui.

PDCA no canteiro

O engenheiro Guilherme Andrade defendeu o método PDCA no canteiro de obra. "É preciso planejar, desenvolver, controlar e, só então, agir corretivamente. Quando há integração, os resultados melhoram. Não há como pensar a logística de um canteiro de forma isolada. Todas as áreas da empresa devem estar integradas, do planejamento à produção. Quando essa integração aumenta, há um maior entendimento do que e como fazer. As soluções aparecem e os problemas diminuem. O profissional de planejamento precisa sujar de lama um pouco o seu sapato e o profissional do canteiro precisa calçar um sapato limpo para ir ao escritório de vez em quando. Não há fórmula mágica, apenas trabalho. Além disso, não se pode olhar a obra apenas de forma macro. É preciso pensar em cada detalhe, cada setor, cada andar, olhar o micro - discorreu, em sua palestra "Logística no canteiro de obras".

O evento contou com a participação de 46 profissionais. Após as apresentações, o bom público presente ao Sinduscon-Rio teve a oportunidade de fazer perguntas dirigidas aos palestrantes. Foi uma valiosa chance de tirar dúvidas sobre a logística em canteiros de obras com especialistas que conhecem e vivem esse tema em seu dia a dia profissional.
 

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