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Parede de Concreto, Rio de Janeiro

Industrialização da construção civil para o segmento econômico

A Industrialização de Sistemas Construtivos para o Segmento Econômico da Habitação foi tema do workshop realizado no dia 06/07 pela Comunidade do Rio de Janeiro, em parceria com o Sinduscon-Rio. Foram debatidos os temas alvenaria estrutural, parede de concreto, pré-fabricados e concreto pvc. O workshop contou com a participação de instituições como ABCP, Sinduscon-Rio, Sebrae-RJ, Firjan, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal Fluminense (UFF), além de engenheiros de construtoras e fornecedores.

Alguns destaques do evento:

  • A construtora Direcional mostrou sua experiência com o sistema Parede de concreto no maior canteiro do Brasil para o segmento de 0 a 3 salários mínimos.
  • A construtora João Fortes apresentou planejamento e logística do sistema de alvenaria estrutural.
  • As empresas Royal do Brasil e Cassol exibiram as soluções adotadas com o sistema Concreto pvc e pré-fabricados de concreto.

 

Leia um resumo de cada palestra:

 

Glécia Vieira, ABCP

Na primeira apresentação do evento, a engenheira Glécia Vieira falou sobre o cenário favorável em que se encontra atualmente a indústria da construção civil. Diminuição da taxa de juros dos financiamentos imobiliários, aumento de crédito por parte dos bancos públicos e privados, securitização de recebíveis das construtoras e maior prazo de financiamento são hoje alguns dos fatores que incentivam o setor. Além do ambiente favorável de crescimento da economia e do segmento de construção a partir do chamado “boom” imobiliário, o programa Minha Casa Minha Vida veio impulsionar ainda mais o setor quando, através de subsídios do governo federal, permitiu o fechamento da equação para viabilizar principalmente a construção de habitações voltadas para famílias com renda mensal de até 3 salários mínimos, onde se concentra a maior parte do déficit habitacional brasileiro, em torno de 85%.

Perante o aumento de escala, os números apresentados pela engenheira da ABCP realmente impressionam quando mostram que a quantidade de contratações na construção civil apenas no 1º semestre de 2010 chega a quase 1/3 do total dos últimos 5 anos (de 2005 a 2009).
Com a escassez de mão de obra, fatores de decisão das empresas por um sistema construtivo ganharam novo cenário de 2006 para cá. Enquanto no passado, basicamente, o sistema era escolhido a partir da cultura da empresa e do custo, hoje, além do custo, itens como produtividade, qualidade e tipologia de arquitetura ganharam força nesta decisão.
Neste novo ambiente, a Comunidade da Construção está investindo forte na capacitação de engenheiros para que estes tenham condições de intervir no processo e de induzir a melhoria da qualidade, para que no futuro tenhamos obras com baixo índice de patologias. O gerenciamento e a organização da cadeia de fornecedores, além da disponibilidade de uma plataforma técnica para a facilidade de acesso e gestão do conhecimento através do conjunto de ativos na sede virtual da Comunidade da Construção, encerraram a primeira apresentação.

 

Rodrigo Macedo, João Fortes Engenharia

O engenheiro Rodrigo Macedo falou sobre a versatilidade do sistema construtivo de alvenaria estrutural, também no segmento médio econômico com unidades acima de 250 / 300 mil reais. Este sistema construtivo de sucesso, com eficiência estrutural e econômicas comprovadas em mais de 30 anos de utilização, há 20 anos com um processo construtivo racionalizado, altamente pesquisado e estudado nas mais conceituadas universidades brasileiras, mostra também sua força quando focado em produtos que exigem opções de layout e possibilidades de mudança na arquitetura original.
A João Fortes está investindo em tipologias com vãos um pouco maiores entre as alvenarias com função estrutural, permitindo uma combinação com alvenarias de vedação e, desta forma, possibilitando alternativas de layout e atuação neste segmento de mercado superior, sem prejudicar a segurança estrutural, porém com um custo de construção sensivelmente mais alto, viabilizado pelo produto diferenciado comercialmente.
O engenheiro falou ainda da manutenção da industrialização do sistema neste segmento, assim como da aposta em kits industrializados, como os kits de instalações, em princípio só utilizados em segmentos mais baixos por questões culturais, a exemplo do que acontecia com a caixa acoplada no passado, hoje presente em todos os segmentos, inclusive no alto luxo.

 

Luiz Livi, Cassol

A terceira apresentação coube ao engenheiro Luiz Livi, que apresentou a alternativa da utilização de estruturas pré-fabricadas no morro do Bumba. A alternativa mostrou-se competitiva economicamente quando planejada a utilização deste sistema desde a concepção da obra. Inovações na maneira de transporte das peças, item significativo nesta tecnologia, foi um dos diferenciais que auxiliaram na viabilização técnico-econômica do conjunto habitacional.

 

Márcio Pimenta, Direcional Engenharia

O engenheiro Márcio Pimenta, da Direcional Engenharia, empresa mineira com alta tradição no segmento econômico, apresentou o caso do maior canteiro de obras do Brasil do programa Minha Casa Minha Vida, o empreendimento “Meu Orgulho”, em Manaus-AM, feito em parceria com o governo do Amazonas. A empresa conta hoje com 90% de suas obras, aproximadamente 20 mil unidades em construção, nas regiões Norte, Sudeste e Centro-oeste do país, utilizando a alvenaria estrutural com blocos de concreto. Porém, o caso apresentado foi do sistema paredes de concreto moldadas no local.

Concebido no país há 20 anos, através dos sistemas Outnord e também com formas Gethal, o sistema não decolou no passado em função da ausência de escala. Hoje, com os números atuais do setor altamente aquecidos, o sistema apresenta-se como boa alternativa do ponto de vista da imperativa necessidade de aumento de produtividade através da industrialização dos processos e redução da mão de obra.

Utilizando um sistema de fôrmas de alumínio que prometem até 1.000 reutilizações, conforme experiências no exterior e com alto nível de pré engenharia, através do esquema de montagem e precisão do sistema de fôrmas, cerne deste processo construtivo, aliado à tecnologia de concretos autoadensáveis (ou fluidos, com baixa necessidade de vibração e permitindo maior produtividade), a empresa já consegue números consolidados de ciclos de produção da estrutura em torno de 2 unidades a cada 1,5 dia por cada conjunto de fôrmas.

Ao longo da apresentação, Pimenta destacou a importância do gerenciamento da implantação deste e de qualquer outro sistema construtivo, assim como a ênfase no planejamento, organização e gestão da produção em campo, mostrando que sistema construtivo por si só não se resolve sozinho e que o grande diferencial para os bons números de alta produtividade com custos e qualidade otimizados está na preparação e no gerenciamento da tecnologia empregada. Planejamentos micros de ciclos, acompanhamentos e controle rigoroso de produtividade, estudos de tempos e movimentos na produção estão entre os principais fatores de sucesso, que associados a qualquer sistema construtivo com bom potencial de industrialização, caso de todas as tecnologias apresentadas no workshop, terão sucesso garantido e resultados otimizados.
Para o engenheiro, a análise do melhor sistema dependerá da tipologia de arquitetura, do produto e da quantidade de unidades. Sob este aspecto, segundo ele, o sistema parede de concreto teria uma tendência mais forte na empresa que representa, nos segmentos super-econômicos (0 a 3 SM) com empreendimentos em torno de 1.000 unidades ou mais, caso do empreendimento de Manaus, com um total de aproximadamente 9.000 un.

 

Eduardo D´Ávila, ABCP-RJ

O evento foi concluído com a apresentação do engenheiro Eduardo D´Ávila, da ABCP-RJ, que falou sobre o histórico da Comunidade da Construção no Rio de Janeiro que, desde 2002, vem provendo a racionalização e o aumento de desempenho dos sistemas construtivos à base de cimento, tendo realizado inúmeros cursos e intercâmbios técnicos em torno dos sistemas de revestimento de fachadas com argamassa, alvenaria racionalizada e modulada de vedação, alvenaria estrutural, estruturas de concreto armado e paredes de concreto. Ao longo desses anos diversos ativos técnicos foram criados e disponibilizados no site da Comunidade da Construção.
O engenheiro mostrou também o planejamento das ações para o 2º semestre de 2011 que, com o apoio de diversos parceiros da cadeia de fornecedores do mercado, focará na multiplicação deste conhecimento gerado, através dos eventos técnicos em todos os sistemas citados, além de focar também questões relativas à nova norma de desempenho.
 

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