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Revestimento de Argamassa, Rio de Janeiro

Curso Gestão de Revestimento de Fachada em Argamassa

Destinado a coordenadores de obras, engenheiros responsáveis pela execução do revestimento de argamassa, tecnologias de argamassa, professores universitários, engenheiros e arquitetos de nível gerencial e de corrdenação, o curso visa, resumidamente, revisar os conceitos fundamentais da execução do revestimento, capacitar os profissionais no processo de tomada de decisão da gestão e produção do revestimento, promover a interação dos diversos agentes da cadeia e apresentar soluções existentes no mercado, em termos de revestimento de argamassa. 

O curso compreende 6 encontros:

26/10 e 27/10 - Introdução, conceitos e materiais, com Elza Nakakura, consultora ABCP.

09 e 10/11 - Projetos de fachada em argamassa - Eugênio Pacelli, da Pacelli Consultoria e Projetos.

22 e 23/11 - Planejamento, execução e controle - José Rinelli.

 

Veja a seguir um resumo do primeiro dia do curso:

 

Workshop Revestimento de Fachada - Resumo

Texto: Guilherme Andrade - Macro Engenharia & Consultoria
Consultoria e Coordenação Técnica Comunidade da Construção-RJ

Na primeira apresentação do evento, a engenheira Elza Nakakura, consultora da ABCP, falou sobre o atual cenário da indústria da construção civil, no qual só cresce a demanda por racionalização de processos construtivos.

Com a escassez de mão-de-obra, fatores como produtividade e qualidade, além do custo e cultura da empresa passaram a ser fundamentais. Desta forma a apresentação focou no que costuma fazer a diferença de desempenho e produtividade global: o planejamento e gestão da produção de um empreendimento, incluindo aí toda a logística construtiva.

Todas as etapas de um sistema de revestimento de fachada foram analisadas de forma bastante didática, numa comparação da maneira tradicional de execução com a forma industrializada proposta desde a etapa de recebimento, armazenagem dos materiais e dosagem da argamassa até a aplicação mecânica, passando pelas etapas de mistura, transporte no canteiro e tipos de andaimes / balancins.

A apresentação encerrou falando da necessidade de se enxergar o revestimento de fachada efetivamente como um sistema, para que possamos planejar e solucionar todas as etapas do processo, otimizando o desempenho e os custos de produção.

O evento teve continuidade com a apresentação do engenheiro Eugênio Pacelli da Pacelli Consultoria, que falou sobre os projetos de revestimento de fachada. Após mostrar diversas fachadas de edifícios antigos, ainda em utilização sem maiores patologias e outros edifícios, com poucos anos de uso já com diversos problemas, o engenheiro fez uma análise de algumas mudanças na construção civil nos últimos 20 anos. Tais mudanças contribuíram para potencializar os problemas de fachada, principalmente para o caso das empresas que não se adaptaram: A evolução tecnológica dos concretos, leva a estruturas mais esbeltas e muitas vezes mais deformáveis... com retirada mais precoce dos escoramentos e menor porosidade das superfícies de concreto a serem revestidas, reduz a aderência dos revestimentos. Fatores como estes, certamente tornam maior o desafio dos projetistas de fachada que têm de estar focados não só no projeto do produto mas também no projeto do processo, ou seja, em projetos efetivamente voltados para a produção com detalhes construtivos, especificações e procedimentos necessários para a qualidade e durabilidade dos revestimentos.

O projetista de fachadas encerrou a apresentação ressaltando a importância de se pensar a fachada com antecedência, para que ocorra redução de custos, qualidade final e boas soluções de interferências com demais sub-sistemas e com o processo de produção. Nesta fase inicial é possível, enquanto a seleção tecnológica do edifício ainda está aberta a mudanças, integrar melhor o projeto técnico de fachada à concepção da obra, eliminando adaptações e improvisos e mantendo-se o orçamento.

A terceira apresentação foi do engenheiro Rodolfo Araújo da Souza Netto Engenharia de Salvador-BA. Na palestra, ele falou sobre a experiência da construtora com o revestimento projetado mecanicamente nas fachadas, mostrando, em tempos de racionalização em alta, diversas vantagens sistêmicas nesta alternativa: a primeira delas foi relacionada à logística e lay-out de canteiro, uma vez que no método tradicional o espaço necessário é bem maior em função da sacaria e da necessidade de baias de areia, central de mistura, etc. Além disso, no método tradicional, segundo Rodolfo somam-se oito etapas no total, desde o abastecimento das baias até a aplicação no jaú, passando pelas etapas de subida da argamassa pelo elevador, contra apenas duas etapas no processo industrializado, ou seja, uma vez abastecidos os silos com argamassa seca pré-misturada, já é realizado o bombeamento para a projeção mecânica.

Além das facilidades logísticas, o sistema racionalizado também apresentou vantagens quanto ao desempenho do revestimento acabado. Os ensaios de arrancamento mostraram valores de resistências mais altas e principalmente mais uniformes ao longo da altura de um pano de argamassa, em função da uniformidade da energia de aplicação com a projeção e melhor ergonomia e posicionamento dos operários, evidenciada por índices de afastamento da mão-de-obra de até 70% menores em relação a obras anteriores da empresa. Tal vantagem do processo também foi traduzida em melhores produtividades com ganhos de até 85% em relação ao método tradicional de revestimento manual com argamassa subida em elevador. O engenheiro finalizou mostrando ganhos indiretos por redução de custos no consumo de massa corrida pva, assim como otimização dos prazos de obra.

O evento foi concluído com a apresentação do engenheiro José Rinelli, consultor carioca especializado em revestimento, que falou sobre o planejamento e execução ressaltando que o revestimento externo argamassado executado da maneira tradicional é uma atividade artesanal, sobre andaimes quase sempre suspensos e sob termos rígidos de prazo e custo e sendo assim possui uma vasta e intrínseca rede de variáveis. A redução de algumas destas variáveis e o controle de outras é o caminho para o sucesso, que poderá ser alcançado através da discussão de aspectos como: garantia de um bom padrão de qualidade, bases e suas condições, materiais e equipamentos (transportes e aplicação), clima, análise dos projetos (arquitetura e estrutura), desenvolvimento dos projetos executivos (alvenaria, impermeabilização, revestimento), estabelecimento de métodos executivos e de controle e principalmente as condições do operário com o pleno entendimento de seus anseios e a realização de um plano de incentivos que atrele também a qualidade final do revestimento além da produtividade já amplamente contemplada nos serviços por empreitada.

O evento foi encerrado com extenso debate do público e palestrantes, principalmente em torno do tema revestimento projetado.
 

 

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