Alvenaria Estrutural

Materiais

A qualidade da obra é totalmente dependente da qualidade dos materiais empregados, sendo que os principais insumos constituintes da alvenaria estrutural são:

  • blocos de concreto
  • argamassa
  • graute

Ao fazer as especificações técnicas para a compra de materiais, estas devem ser claras, com requisitos bem definidos e documentados, garantindo que o pessoal de compras tenha uma comunicação eficiente com os fornecedores para reduzir o risco de eventuais desentendimentos.

Selecione abaixo o material para conhecer suas características:


Blocos de Concreto


Crédito: Chico Rivers / ABCP

O bloco de concreto é um componente industrializado, produzido em máquinas que vibram e prensam, podendo ser fabricados com uma vasta variedade de composições. Por serem moldados em fôrmas de aço, possuem precisão dimensional que confere facilidade na execução da alvenaria. Suas características e desempenho dependem do equipamento, da qualidade dos materiais empregados e da sua proporção adequada.

Os blocos de concreto normalizados possuem formato e dimensões padronizadas, que proporcionam um sistema construtivo limpo, prático, rápido, econômico e eficiente. Além disso, o material concreto possui um módulo de elasticidade similar ao da junta de argamassa, aproximando a resistência da alvenaria à do bloco.


Crédito: Chico Rivers / ABCP

Além dos aspectos técnicos, os blocos de concreto apresentam outras vantagens:

  • Podem ser produzidos em resistências características variadas, em função da necessidade estrutural das edificações.
  • Podem ser produzidos com diferentes formas, cores e texturas.
  • Possuem vazados de grandes dimensões que permitem a passagem de tubulações elétricas e, em alguns casos, sanitárias. Estes vazados também podem ser preenchidos com graute (microconcreto) para a execução de cintas de amarração, vergas ou quando se deseja aumentar a resistência da alvenaria à compressão.
  • Por serem produzidos a partir da mistura de cimento, agregados miúdos e graúdos, estão disponíveis em praticamente todas as cidades de médio e grande porte do País.
  • Apresentam baixíssima variação de dimensões, que são modulares, evitando desperdícios por quebras em obra e diminuindo substancialmente as espessuras dos revestimentos aplicados.

A norma NBR 6136 / 2007 especifica as características dos blocos de concreto para alvenaria estrutural, sendo que os principais blocos com função estrutural comercializados atualmente apresentam as seguintes dimensões:

Designação

Dimensões (mm)

largura

altura

comprimento

M-20 (Blocos de 20 cm nominais)

19

19

39

19

19

19

19

19

9

M-15 (Blocos de 15 cm nominais)

14

19

54

14

19

44

14

19

39

14

19

34

14

19

29

14

19

19

14

19

14

Você sabia?
Família de blocos é o conjunto de componentes de alvenaria que interagem modularmente entre si e com outros elementos construtivos. Os blocos que compõem uma família, segundo suas dimensões, são designados como: bloco inteiro (bloco predominante), meio bloco, blocos de amarração L e T (blocos para encontros de paredes), blocos compensadores A e B (blocos para ajustes de modulação) e blocos tipo canaleta (NBR 6136 / 2007).

Para a alvenaria estrutural, duas famílias de blocos ficaram consagradas:

Família 29

Família 39

14x19x29

14x19x44

14x19x14

14x19x39

14x19x19

14x19x34

14x19x54

Bloco 29: É o bloco mais usado desta família. Com ele construímos quase 90% das paredes.

Bloco 39: É o bloco mais usado desta família. Com ele construímos quase 90% das paredes.

Bloco 14: Também conhecido como meio bloco

Bloco 19: Também conhecido como meio bloco.

Bloco 44: Usado nos encontros de paredes em forma de “T” junto com o bloco 29.

Bloco 34: Usado nos cantos de paredes junto com o bloco 39 para fazer a amarração das fiadas.

Os cantos (encontros tipo “L”) são executados com dois blocos 29.

Bloco 54: Usado nos encontros de paredes em forma de “T” junto com o bloco 34.

Blocos especiais: blocos tipo canaleta e tipo “J”.
São utilizados na construção das cintas, vergas e contra-vergas.

 

A classificação dos blocos segundo a NBR 6136 / 2007 é a seguinte:

  • Classe A – Com função estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima ou abaixo do nível do solo
  • Classe B – Com função estrutural, para uso em elementos acima do nível do solo
  • Classe C – Com função estrutural, para uso em elementos acima do nível do solo
Recomenda-se que os blocos com função estrutural classe C sejam empregados, conforme sua designação, da seguinte forma:
Blocos M10 - edificações de no máximo 1 pavimento
Blocos M12,5 - edificações de no máximo 2 pavimentos
Blocos M15 e M20 - edificações maiores
  • Classe D – Sem função estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima do nível do solo

Em geral, quanto mais denso o bloco, menor será a sua absorção. Para ambas as classes (estrutural e não estrutural) a absorção deve ser < 10% e a retração por secagem deve ser sempre < 0,065%. A retração por secagem é uma redução de volume resultante da evaporação da água excedente.

As dimensões reais dos blocos vazados de concreto, modulares e submodulares, devem corresponder às dimensões constantes da tabela.

As normas NBR 12118 e NBR 6136 definem as características exigidas dos blocos de concreto, como, por exemplo, resistência, dimensões, absorção, umidade e retração. Para ajudar na identificação dos blocos conformes, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) realiza os ensaios e concede o Selo da Qualidade às empresas que fabricam os blocos dentro das normas.


Argamassa

Crédito: Chico Rivers / ABCP

A argamassa para assentamento de blocos de concreto deve sempre seguir a recomendação do projetista e tem como funções básicas solidarizar os blocos, transmitir e uniformizar as tensões entre as unidades de alvenaria, absorver pequenas deformações e prevenir a entrada de água e de vento nas edificações.

A aderência é a mais importante característica que uma boa argamassa deve ter, por evitar o escorregamento entre o bloco e a argamassa e fazer com que os três corpos (bloco + argamassa + bloco) deformem de forma igual.



Com relação à resistência à compressão, deve ser atendido o valor máximo limitado a 0,7 da resistência característica especificada para o bloco, referida à área líquida.

Graças a essa característica do uso da argamassa em conjunto com o bloco estrutural, podemos tirar algumas conclusões:

  • Quanto maior a altura da junta, menor é a resistência da alvenaria. Isto ocorre por causa da quebra do estado tríplice de tensões da argamassa, causada pelo excesso de distância entre os blocos e com isso o aumento das tensões transversais de tração na argamassa.
  • Quanto menor a altura do bloco, menor a resistência da parede: Isso ocorre porque blocos com menor altura possuem analogamente menor seção transversal, além do que, como tem altura menor, acabam por se deformar transversalmente menos, transferindo esta deformação não absorvida no bloco para a argamassa.
  • Quanto maior o módulo de deformação do bloco (bloco mais indeformável) menor a resistência da parede. Como o bloco está mais indeformável que a argamassa, as tensões de tração transversais na interface da argamassa e do bloco aumentam, baixando assim a resistência da parede.
  • A argamassa industrializada é a mais recomendada para o assentamento dos blocos, em função de ser um produto mais constante e homogêneo, tanto no seu uso diário como ao longo da obra. Consiste na mistura de cimento, areia e aditivos, entregue na obra em sacos ou a granel. O tipo de misturador, o tempo de mistura e a quantidade de água a ser adicionada deve ser o especificado pelo fabricante. (veja estas Dicas) link para pop-up.

Dicas

  • Não se deve misturar argamassas em betoneiras comuns.
  • Recomenda-se o uso da argamassa assim que for preparada, com a aplicação até uma hora e meia após a adição da água.
  • As argamassas industrializadas para assentamento de blocos de concreto devem atender às disposições da norma NBR 13281 – “Argamassa industrializada para assentamento de paredes e revestimentos de paredes e tetos – Especificação”.
  • No caso do material não ter certificado de conformidade, o comprador deverá verificar se ele segue os ensaios mínimos previstos pela NBR 13281. No caso da empresa fornecer o certificado de conformidade do material (emitido por órgão credenciado e acreditado), este deve ser renovado pela empresa fornecedora a cada quatro meses, a fim de assegurar a qualidade dos produtos e manter os dados do fornecedor atualizados no cadastro da empresa.
  •  Para se proceder à qualificação dos fornecedores, antes da primeira compra, deve-se exigir do fabricante o certificado de ensaio comprovando a conformidade do produto aos requisitos da norma.
     

Graute

 

Crédito: Chico Rivers / ABCP

O graute é um tipo especial de concreto, definido pela NBR 8798 / 1985 como o elemento indicado ao preenchimento dos vazios dos blocos e canaletas para solidarização da armadura a estes componentes e para o aumento de capacidade portante. Compõe-se de cimento, agregados miúdo e graúdo, água e cal ou outra adição destinada a conferir trabalhabilidade e retenção de água de hidrataçao à mistura. O material é utilizado no preenchimento das canaletas ou blocos J de apoio das lajes e em vergas e contra-vergas de janelas. Nos furos verticais pode estar ou não acompanhado de armadura.

Para blocos de 14 cm de espessura (padrão 14 x 39) temos um consumo de 0,0114 m3/mLinear em canaletas e 0,0134 m3/mLinear em furos verticais.

O graute pode ser considerado um microconcreto com as seguintes características:

  • Para elementos de alvenaria armada, a resistência à compressão característica deve ser especificada com valor mínimo de 15 MPa.
  • Seu agregado graúdo é o pedrisco, que deve passar na peneira de 12,5 mm (Brita 0).
  • Deve ter alta plasticidade para preencher totalmente os vazios dos blocos; seu fator água-cimento fica entre 0,8 e 1,1.
  • O seu slump deve ser de ± 25 cm, sendo que o seu adensamento deve ser feito manualmente com o auxílio de uma barra metálica, sem utilização, em qualquer circunstância, do vibrador, pois ele destrói as pontes de aderência dos blocos.
  • Contém aditivos plastificantes e antirretração.
  • O grauteamento de paredes de alvenaria estrutural não armada tem se mostrado uma prática adotada por alguns calculistas com o objetivo de aumentar a capacidade de carga da alvenaria. A dosagem, a especificação das características do graute e sua localização devem ser de responsabilidade do calculista.

O graute deve envolver completamente as armaduras e aderir tanto a ela quanto ao bloco, de modo a formar realmente um conjunto único. O graute de preenchimento dos vazados verticais nas tipologias de alvenaria estrutural tem as funções de:

  • Permitir que a armadura trabalhe conjuntamente com a alvenaria, quando solicitada.
  • Aumentar a resistência à compressão localizada da parede.
  • Impedir a corrosão.

A resistência do graute deve estar relacionada com a resistência real do bloco. Como um bloco tem normalmente 50% de área líquida, o material de que é feito (concreto) terá o dobro da resistência nominal (Ex: bloco de 6 MPa , graute com 12 MPa).

O graute deve trabalhar com resistência próxima à do material constituinte para se aproximar do seu módulo de elasticidade. Assim, podemos adotar a resistência do graute como sendo o dobro da resistência nominal dos blocos.

O aumento da resistência da parede devido ao grauteamento do bloco é acrescida em 30% a 40%, pois o graute não consegue preencher totalmente todos os vazios dentro dos blocos.
 


Armaduras

Crédito: Chico Rivers / ABCP

As armaduras são utilizadas verticalmente nos pontos estabelecidos pelo projeto estrutural e horizontalmente nas canaletas, vergas e contra-vergas. A bitola mais utilizada é a de 10 mm para os casos de edifícios onde não ocorrem tensões de tração devido ao vento. As vergas de janelas até 1,5 m também são armadas com esta bitola.

As barras de aço empregadas nas construções em alvenaria são as mesmas utilizadas nas estruturas de concreto armado, tendo que ser envolvidas por graute para que o trabalho conjunto com o restante dos componentes da alvenaria seja alcançado. Exceção feita às armaduras colocadas nas juntas das argamassas de assentamento - neste caso, o diâmetro deve ser de no mínimo 3,8 mm ou metade da espessura da junta.