Parede de Concreto

Controle

Concreto

O controle tecnológico do concreto se dá em dois momentos: no ato do recebimento do material na obra e na sua aceitação.

Controle de recebimento
Esse controle é feito com o concreto em estado "fresco", assim que o caminhão betoneira chega à obra, seguindo a norma de amostragem de concreto fresco ABNT NBR NM 33. Os ensaios necessários nesta etapa são:

  • Slump: realizado antes de descarregar o caminhão betoneira e antes de adicionar o aditivo superplastificante (quando for usado), segundo a ABNT NBR NM 67.
  • Slump Flow ou espalhamento: realizado depois da medição do Slump, depois de adicionar o superplastificante e antes de descarregar o caminhão na bomba de concreto. Ensaio feito pelo método ASTM C 1611.
  • Massa específica do concreto de acordo com a ABNT NBR 9833 (para os tipos L1, L2 e M).
  • Teor de ar incorporado ao concreto de acordo com a ABNT NBR 9833 (para os tipos L1 e M).
  • Moldagem de corpos-de-prova. No terço médio do volume transportado por um caminhão betoneira devemos colher um volume de concreto para moldar corpos-de-prova cilíndricos, conforme prescreve a norma ABNT NBR 5738.

Sequência do controle de recebimento:

   
Flow Test

 

  
Slump Test, Ar incorporado, Massa Específica

Controle de aceitação
Trata-se do controle feito por ensaios quando o concreto está endurecido e aplicado à estrutura. São eles:

  • Transporte, desforma, cura e rompimento dos corpos-de-prova seguindo a ABNT NBR 5739.
  • Cálculo da resistência característica do concreto, considerando a divisão da estrutura em lotes, conforme a ABNT NBR 12655.
  • Ensaios de caracterização, tais como:
    • Determinação do módulo de elasticidade tangente inicial na idade de controle e com a carga determinada pelo projetista, segundo a ABNT NBR 8522.
    • Coeficiente de retração na idade de controle - ASTM C 157
    • Resistência à tração (compressão diametral) - ABNT NBR 7222.

Cura

O processo de cura envolve alguns cuidados específicos, sendo importante seguir o que está estabelecido na ABNT NBR 14931.

Enquanto não atingir o endurecimento satisfatório, o concreto deve ser protegido contra agentes que lhe são prejudiciais: mudanças bruscas de temperatura, secagem, vento, chuva forte, água torrencial, agentes químicos, choques e vibrações de intensidade que possam produzir fissuração na massa do concreto ou afetar sua aderência à armadura.

A proteção contra a secagem prematura do concreto deve ser feita mantendo-se sua superfície umedecida, pelo menos nos primeiros sete dias após o lançamento do concreto - prazo que deve aumentar quando forem usados os cimentos CP III ou CP IV.

Há a possibilidade de proteger a superfície do concreto com uma película impermeável ou agentes de cura (que não prejudiquem a aderência do revestimento previsto). Quanto mais cedo for feita essa proteção, menor a possibilidade de surgirem fissuras superficiais, principalmente em lajes.

O endurecimento do concreto pode ser antecipado por meio de tratamento térmico (cura térmica) adequado e devidamente controlado, o que não dispensa as medidas de proteção contra a secagem.

Retirada das fôrmas e do escoramento

A retirada das fôrmas e do escoramento só pode ser feita quando o concreto se achar suficientemente endurecido para resistir às ações que atuarem sobre ele e estas não conduzirem a deformações inaceitáveis, conforme o especificado pelo projetista. Essa retirada também deve ser feita sem choques e obedecer a um programa elaborado de acordo com o tipo da estrutura.

Desmoldante

Como o sistema Parede de Concreto admite o uso de fôrmas metálicas ou plásticas, além das convencionais de madeira, uma atenção especial deve ser dada ao desmoldante escolhido. O produto precisa ser adequado a cada superfície, evitando-se que o concreto grude na fôrma e deixe resíduos na superfície das paredes, o que comprometeria a aderência do revestimento final.

Riscos de não conformidade

As não conformidades em relação à normalização técnica devem ser identificadas claramente por meio do controle tecnológico do concreto. São elas:

a) Trabalhabilidade inadequada
É importante que o concreto cumpra claramente as especificações previstas. No caso de concretos com baixa trabalhabilidade, esta pode ser ajustada conforme a ABNT NBR 7212. Para concretos com plasticidade superior ao especificado, a trabalhabilidade deve ser medida novamente e em caso de confirmação o concreto não deve ser aplicado.

b) Resistência inferior à especificada no projeto
Antes de tudo, é fundamental certificar-se de que o concreto tem a resistência prevista em projeto (confirmação feita pelos ensaios de corpos-de-prova) e restringir adequadamente as áreas onde esse concreto foi aplicado. Neste caso, recomendam-se ainda os ensaios de:

  • Avaliação da dureza superficial (ABNT NBR 7584).
  • Testemunhos de estruturas de concreto (ABNT NBR 7680).

Para verificar o comportamento da estrutura cabe ainda a possibilidade de fazer provas de carga na estrutura, conforme a ABNT NBR 9607.

De posse dos resultados dos ensaios acima, o projetista tem condições de analisar e recomendar as melhores alternativas para sanar possíveis problemas.

c) Massa específica diferente da projetada
Se o concreto recebido tiver massa específica inferior à projetada, sua resistência à compressão estará comprometida. Se, ao contrário, a mistura tiver massa específica superior, o desempenho termoacústico será afetado. Portanto, em ambos os casos o concreto não deve ser aplicado.

d) Teor de ar incorporado diferente da especificação
A situação, neste caso, é similar à do item anterior. O teor de ar incorporado superior ao especificado compromete a resistência à compressão, enquanto menores teores de ar incorporado afetam o desempenho térmico do concreto. Da mesma maneira, em ambos os casos o concreto deverá ser descartado.

e) Cura insuficiente
Quando a cura dos elementos de concreto não é executada adequadamente, a retração hidráulica prejudica sobremaneira as características do concreto, ocasionando fissuras e diminuindo a sua resistência e durabilidade.

Fôrmas

As fôrmas são estruturas provisórias, cujo objetivo é moldar o concreto fresco. Devem resistir a todas as pressões do lançamento do concreto até que este adquira resistência suficiente para a
desforma. Exige-se das fôrmas que sejam estanques e mantenham rigorosamente a geometria das peças que estão sendo moldadas.

Tipologias
Os sistemas de fôrmas são compostos pelos painéis de fôrmas, propriamente ditos, e de acessórios com as seguintes funções:

  • facilitar a montagem dos painéis
  • alinhar os vários painéis
  • travar as fôrmas
  • aprumar os conjuntos de painéis
  • garantir a desforma dos painéis de modo a não gerar impacto ou pressões imprevistas nas paredes recém-concretadas

A tipologia mais utilizada para as fôrmas no sistema Parede de Concreto são:

Fôrmas metálicas + Compensado - São fôrmas que utilizam quadros e chapas metálicas, tanto para estruturação de seus painéis como para dar acabamento à peça concretada. O material predominante nesse tipo de fôrma é o alumínio, por ser mais leve e resistente. Também podemos encontrar fôrmas metálicas em aço. 

Fôrmas metálicas + Compensado - São compostos por quadros em peças metálicas (aço ou alumínio) e utilizam chapas de madeira compensada ou material sintético para dar o acabamento na peça concretada. Ou seja, as chapas são a parte da fôrma que mantêm contato com o concreto.

Fôrmas plásticas - São fôrmas que utilizam quadros e chapas feitos em plástico reciclável, tanto para estruturação de seus painéis como para dar acabamento à peça concretada, sendo contraventadas por estruturas metálicas.

Como especificar
A escolha do sistema de fôrmas deve levar em conta uma série de fatores, entre eles:

  • Produtividade da mão de obra na operação do sistema de fôrma
  • Peso por m² dos painéis
  • Número de peças que compõem o sistema de fôrmas
  • Durabilidade da chapa e número de reutilizações
  • Durabilidade da estrutura (quadros)
  • Modulação dos painéis
  • Flexibilidade do sistema de fôrma a diversas soluções de projetos
  • Adequação do sistema de fôrma para a fixação de embutidos
  • Análise Econômica: além dos aspectos técnicos descritos, devemos analisar os aspectos econômicos como: atendimento do fornecedor (capacidade instalada, abrangência nacional, velocidade de atendimento, além de oferta de treinamento e assistência técnica), e o sistema de comercialização – locação, venda, leasing etc.

Cuidados no recebimento
Todo conjunto de fôrmas deve vir acompanhado de seu projeto, que é indispensável para o início dos serviços, pois apresenta o posicionamento de cada painel e detalhes da montagem. O responsável pela obra deve proceder a uma rigorosa análise crítica do projeto, para eliminação de quaisquer dúvidas ou discordâncias.

É fundamental que, ao chegar à obra, todo o material seja armazenado em local adequado até sua utilização, protegido de intempéries ou exposição a produtos químicos ou agentes agressivos.

Cuidados na aplicação
A montagem das fôrmas segue uma sequência executiva que pode variar de acordo com a tipologia escolhida.

É importante que o piso da laje de apoio esteja perfeitamente nivelado, a fim de evitar diferenças de níveis de topo entre painéis, o que acarretaria descontinuidade no alinhamento superior das paredes.

Para saber mais sobre Controle Tecnológico, acesse os arquivos:
Controle Tecnológico do Concreto (PDF)
Cura do Concreto (PDF)
Revestimento (PDF)