Estrutura de Concreto

Fôrmas - sistemas

A escolha do sistema

Com tantos detalhes e variáveis, como escolher o melhor sistema de fôrmas, ou melhor, como escolher o sistema de fôrmas mais ADEQUADO às necessidades da obra. Não existe regra, porém podemos descrever as variáveis que mais necessitam de atenção no momento da escolha do sistema de fôrmas:

Projeto arquitetônico - Determina a geometria do produto final, influenciando diretamente o projeto estrutural e, consequentemente, todo o processo construtivo.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
As fôrmas de madeira se adaptam a praticamente qualquer geometria. O principal cuidado deve ser em relação aos equipamentos necessários para execução de fôrmas mais complexas e muitas vezes não disponíveis no canteiro de obras. Exemplo: fôrmas curvas (cambotadas) exigem o uso de serra de fita.  Uma geometria extremamente recortada e não direcionada ao uso de painéis modulados pode dificultar e até inviabilizar o seu uso. Portanto, se a opção for por este tipo de fôrma, o arquiteto deve conhecer a modulação dos painéis.

Projeto estrutural - É o projeto que estabelece a geometria das peças a serem concretadas e, consequentemente, desqualifica materiais e sistemas que não se adaptam a essa exigência.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
Como buscamos a solução de fôrmas com o melhor custo, é neste momento que devemos: observar a padronização da largura de pilares e vigas, evitando “dentes” nos encontros; evitar transições desnecessárias entre os pavimentos de estacionamento e a torre; nivelar os fundos de vigas etc.  Além dos cuidados ao lado, a fim de conseguirmos a melhor relação custo-benefício no uso de fôrmas metálicas industrializadas, é neste momento que devemos envolver os fornecedores, entendendo a modulação dos painéis e tentando adequar a geometria dos elementos estruturais à modulação.

Planejamento - Fornece, entre outras coisas, o ritmo de execução da estrutura, bem como a sequência dos trabalhos.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
Como neste caso ocorre invariavelmente a compra dos materiais (madeira ou forma pronta), o prazo influencia somente a quantidade de fôrmas a fabricar ou adquirir. Em obras lentas podemos, por exemplo, utilizar 1⁄2 jogo de fôrmas no pavimento tipo (se este for simétrico).  As fôrmas metálicas normalmente podem ser adquiridas ou alugadas. Na aquisição, os cuidados são os mesmos das fôrmas de madeira. No caso de locação, o prazo influi diretamente na economia que estas podem proporcionar, exemplo: o valor do aluguel mensal de uma fôrma utilizada 2 vezes no mês é o mesmo de uma utilizada 4 vezes.

Concreto - Dependendo do tipo de concreto a ser utilizado, as fôrmas deverão atender com mais ênfase a quesitos como estanqueidade, inexistência de reação química etc. Nunca é demais lembrar: uma concretagem bombeada exerce esforço maior sobre as fôrmas do que uma com grua. As fôrmas devem ser escolhidas para que seus materiais atendam às solicitações de cada processo. Vale o mesmo raciocínio com relação ao tipo de adensamento. As fôrmas respondem diferentemente às solicitações de um adensamento com vibradores de imersão em comparação a, por exemplo, vibradores de placa.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
As fôrmas de madeira são projetadas e fabricadas adequando-se à geometria da obra. Da mesma maneira, elas devem ser dimensionadas para atender às solicitações específicas de execução, baseando-se nas informações de: tipo de concreto, forma de lançamento e de adensamento. Estas informações influenciam a quantidade de elementos de estruturação e de travamento, e até mesmo o tipo de madeira a ser utilizado.  Estas fôrmas são pensadas para atender aos mais variados tipos de solicitações, além de possuírem encaixes precisos garantindo a estanqueidade. De qualquer maneira, é importante que o fornecedor conheça as características de concreto, lançamento e adensamento, a fim de dimensionar os travamentos e ancoragens destas fôrmas.

Custo - No mercado cada vez mais competitivo, este item é, quase sempre, o de maior importância na decisão. Devemos perceber a diferença entre o MENOR preço e o MELHOR preço.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
Se analisarmos somente uma obra, as fôrmas de madeira são geralmente mais baratas, graças ao material empregado, à mão de obra menos especializada e equipamentos mais simples. Em contrapartida, o reuso destas em outras obras limita-se à execução de peças menos “nobres”, como fundações e cortinas.  As fôrmas metálicas são normalmente disponibilizadas de duas maneiras:
  • Aquisição: opção inicialmente mais cara do que a madeira, porém se levado em conta as possibilidades de reaproveitamento em várias obras esta torna-se bastante interessante.
  • Locação: como já foi dito no item Planejamento, quanto mais utilizarmos as fôrmas, mais barato o aluguel destas se torna.

Número de utilizações - Devemos, juntamente com o acabamento superficial esperado do concreto, escolher os materiais que permitem o número de reutilizações mais próximo da nossa necessidade. É anti-econômico buscarmos uma solução que permite 20 usos para uma obra de 4 pavimentos. O bom projeto de fôrmas não é aquele apenas fácil de montar, mas sim aquele fácil de DESMONTAR. É no momento da desforma que os painéis sofrem os maiores impactos, comprometendo sua vida útil. Cuidados como usar cunhas de madeira em vez de pé-de-cabra e passar cordas pelas escoras, criando uma “cama” onde as chapas de lajes caem sem danificar suas bordas, são fundamentais para garantir a durabilidade dos painéis de fôrmas.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica

Número de utilizações normalmente garantido pelos fabricantes de compensado (todos com colagem fenólica):
Compensado resinado = 8x
Compensado plastificado = 18x

Alguns fabricantes ainda oferecem o compensado vitrificado (onde aplica-se a cola fenólica nas superfícies externas e prensa-se a quente), com uma garantia de 12 a 14x. Estas garantias valem para a colagem das lâminas e integridade da superfície em contato com o concreto. Painéis sem o topo devidamente selados, desforma com pés-de-cabra, quebras decorrentes de impactos não são cobertos por essas garantias.

Estes painéis são concebidos buscando o maior número de reutilizações possível com uma baixa manutenção. Mesmo aqueles que recebem compensado plastificado, este fica embutido no painel metálico, consequentemente com sua borda (a parte mais sensível da chapa de compensado) protegida, permitindo um uso acima de 100 vezes.

Movimentação - A decisão está ligada também aos equipamentos que a obra terá à disposição, e muitas vezes extrapola a execução da estrutura de concreto. Por exemplo, uma grua pode movimentar fôrmas, aço e concreto, e também blocos, argamassas, esquadrias, fachadas pré-fabricadas etc.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
No caso das fôrmas de madeira é importante projetá-las e fabricá-las levando em conta o tipo de movimentação:
  • Manual: pressupõe facilidade no manuseio e posicionamento, porém um maior número de elementos a serem desmontados, transportados e montados.
  • Com grua ou guindaste: pressupõe painéis com os elementos de estruturação e travamento dos painéis já fixados, porém mais difíceis de serem posicionados. 
No caso das fôrmas metálicas, mesmo aquelas que podem ser transportadas manualmente, deve-se solicitar ao fornecedor paletes que, a cada desforma, organizam os vários componentes e, com o auxílio de carinhos hidráulicos e do guincho de carga, passam para o próximo andar / trecho.

Produtividade - Com reflexo imediato na mão de obra direta, o tipo de material eleito deve respeitar a forma de organização do trabalho planejada, além dos aspectos culturais regionais, de resistências naturais e de treinamento aplicado.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
Como é feita sob medida, a fôrma de madeira obtém melhores resultados (em comparação com fôrmas moduladas) em obras mais complexas. (panos pequenos de lajes, grande concentração de pilares e vigas, peças curvas etc.).  Quando o projeto leva em conta a modulação dos painéis metálicos e a estrutura conta com, por exemplo, reduzido número de vigas (além da atenção aos outros aspectos citados anteriormente), a produtividade conseguida com fôrmas metálicas é imbatível.

Espaço no canteiro - Importante lembrar que a fôrma dividirá espaço com outros materiais, como: aço, blocos, argamassas etc. Por isto, esta decisão tem como principal suporte o Projeto de Canteiro, que leva em conta a disposição dos materiais em cada uma das etapas da obra.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
Se a opção for fabricar a fôrma em obra, deve-se prever o espaço necessário para o posicionamento das máquinas necessárias (vide item Equipamentos). Importante consultar os profissionais envolvidos para conhecermos as áreas de trabalho que cada equipamento exige. No caso de aquisição de fôrmas industrializadas de madeira, deve-se combinar com o fornecedor um cronograma de entregas adequado à sequência executiva.  Da mesma forma que a aquisição de fôrmas de madeira industrializadas, as fôrmas metálicas devem chegar na obra no momento de sua utilização, evitando estoques intermediários. Quando a fôrma é alugada, este cuidado torna-se imperativo, visto que o custo de locação incidirá utilizando-a ou não o sistema.

Perdas no processo - Algumas alternativas são mais duráveis ou exigem menos reformas do que outras. As perdas e reposições durante o processo devem também ser levadas em conta.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
A madeira, por ser mais frágil do que o metal, exige mais cuidados, principalmente no momento da desforma. Além disso, um projeto com grande número de reformas e adaptações implica em maiores perdas de material. Um cuidado importante é identificar (por marcação ou pintura) as peças que compõem o sistema de fôrmas, evitando que estas sejam confundidas com madeira “solta” e utilizadas para outros fins.  Tendo a durabilidade como principal característica, devemos voltar nossa atenção para sistemas de fôrmas metálicas que tenham o mínimo de peças soltas, evitando sua perda, e que não exijam ferramentas especiais para sua utilização. Procure entender todos os elementos que compõem o sistema. Evite peças pequenas e frágeis. No caso de locação, analise os preços e os critérios de indenização.

Disponibilidade no mercado e confiança nos fornecedores - De nada adianta escolher uma alternativa que não seja colocada à disposição da obra. A construtora deve ter confiança no fornecedor do material em relação a: assistência técnica, cumprimento de prazos de entrega e garantias comerciais.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
A madeira está disponível em praticamente qualquer região do Brasil. Empresas especializadas na fabricação estão restritas aos grandes centros. Em obras mais distantes devemos avaliar o impacto do custo do frete.  Graças à crescente industrialização da construção civil, hoje encontramos representantes de empresas fornecedoras em praticamente todas as capitais brasileiras.

Segurança - Influência total na decisão. Desnecessário dizer a importância da segurança dos trabalhadores.

Fôrma de madeira  Fôrma metálica
O projeto de fôrmas de madeira deve contemplar este aspecto, criando elementos específicos para a segurança durante a montagem e a desforma.  Normalmente os sistemas de fôrmas metálicas possuem peças que visam a segurança na montagem como, por exemplo, guarda-corpos que são fixados aos painéis de vigas de borda.