Revestimento de Argamassa

Condicionantes

Todas as atividades inerentes ao processo de execução de uma edificação necessitam de um planejamento específico para o seu desenvolvimento. A programação de cada atividade é apenas uma parte da obra e deve estar adequadamente vinculada ao todo, respeitando as demais etapas de trabalho.

Deve ser avaliado em que etapa da obra podem ocorrer as atividades de execução dos revestimentos, sendo distintos os momentos em que se realizam os revestimentos de paredes e forros internos, fachadas e contrapisos, tomando-se como referência o planejamento previsto para a edificação como um todo.

Uma vez que as camadas de revestimento de argamassa estão aderidas à base e é desejável que permaneçam lá durante a vida útil da edificação, algumas recomendações podem ser feitas de forma a diminuir a ação de esforços deletérios sobre a interface argamassa/substrato, como por exemplo:

• bases de concreto com pelo menos 28 dias de idade
• bases de alvenaria com pelo menos 14 dias de idade
• chapisco aplicado há pelo menos 72h

Enquanto os prazos acima se referem a situações pontuais da aplicação dos revestimentos, existem os prazos globais da obra, ou seja, o cronograma de execução dos diversos serviços: estrutura, alvenaria, contrapiso, elétrica, hidráulica, argamassa, gesso, contra-marco, fachada etc. Numa situação teórica, em que o resultado seria o menor acúmulo de esforços de compressão sobre as alvenarias e revestimentos, as paredes e os revestimentos deveriam ser executados de cima para baixo após o término total da estrutura reticulada de concreto.

Entretanto, tal cronograma é inimaginável nas condições atuais do mercado, de forma que cada construtora adota seu próprio cronograma global de execução de serviços, sendo eles bastante distintos.

No caso de fachadas, por exemplo, é recomendável que o revestimento tenha início apenas após a conclusão da estrutura (foto), seja por motivos de concentração de esforços sobre panos já concluídos seja por risco de desaprumo proveniente da impossibilidade de locação dos arames. Entretanto, para edifícios de grande altura, não é incomum constatar a execução dos revestimentos externos em 2 etapas: 1. da metade do edifício ao térreo e 2. do topo à metade (foto).
 

Estrutura concluída, pronta para receber o revestimento Execução do revestimento externo em duas etapas


Isto significa que os primeiros panos de revestimento estarão sujeitos a esforços de cisalhamento provenientes da deformação imediata da estrutura, deformação esta oriunda da execução dos pavimentos superiores do edifício. Ainda que o cálculo das tensões deletérias seja praticamente impossível, elas certamente estarão presentes e seu efeito será negativo.

De qualquer forma, alguns fatores geralmente são válidos em qualquer situação, como por exemplo:


• execução do contrapiso do pavimento N antes da fixação do pavimento N-1
• embutimento e teste das instalações antes da execução dos revestimentos
• fixação dos contramarcos antes das massas interna e externa
• execução do revestimento de argamassa antes do revestimento de gesso e ambos após a fixação das alvenarias

Os fatores acima apresentam certo grau de obviedade, pois o seu descumprimento não possui muito sentido e a alteração de algumas sequências executivas pode gerar retrabalhos e entulho na obra, ou seja, prejuízos financeiros e de cronograma.