Revestimento de Argamassa

Fachadas

De maneira geral, os revestimentos deveriam ser executados após a total conclusão da carga permanente do edifício, ou seja, finalização da estrutura, das alvenarias e, se houver, do contrapiso dos pavimentos.

Entretanto, o cronograma físico-financeiro atual não permite tal prática e os revestimentos são executados quando a base ainda está sujeita a deformações devido ao acréscimo de carga permanente. A previsão de tais esforços é por demais complexa e, então, existem diversos tipos de cronogramas adotados em campo, sempre com o objetivo de minimizar os esforços sobre as alvenarias e, consequentemente, sobre os revestimentos.

Nos edifícios com dezenas de pavimentos, é comum a execução de fachadas em duas e até três etapas, sendo o revestimento externo aplicado nos andares inferiores ainda com a estrutura sendo executada nos pavimentos superiores. Isto implica no surgimento de esforços de certa forma não mensuráveis sobre todos os subsistemas, cujas consequências são de difícil previsão.

Uma vez que é muito complexo estabelecer parâmetros quantitativos para as propriedades das argamassas em função do tipo de edifício, é bastante comum a ênfase nos en-saios de resistência de aderência do sistema de revestimento, que é um valor men-surável e especificado pela normalização como mínimo de 3kgf/cm2 para revestimentos de fachadas.

Então, o projeto de revestimento precisa especificar o tipo de preparo da base, seja concreto ou alvenaria, e o tipo de chapisco a ser utilizado, de forma que a argamassa aplicada apresente resistência de aderência mínima após sua aplicação.

Chapisco convencional sobre alvenaria

e desempenado sobre estrutura

Chapisco projetado sobre estrutura e alvenaria


De modo geral, os pontos mais críticos estão localizados sobre os elementos estruturais, como regiões em balanço de sacadas e grandes pilares, uma vez que a aderência sobre as alvenarias, de blocos cerâmicos ou de concreto, costuma resultar em valores bem elevados. Já nas superfícies de concreto, com fck de 30 MPa e acima, a aderência dos chapiscos pode ser um problema devido à baixa rugosidade superficial, baixa absorção de água e presença de desmoldantes.

Em alguns casos, são especificados reforços metálicos ancorados à estrutura suporte e que impedem o desplacamento da argamassa caso haja perda de aderência, seja na interface chapisco/base ou na interface argamassa/chapisco (menos comum). Assim, devem estar contidos no projeto: o tipo de reforço a ser utilizado, os locais e a forma de aplicação.

Exemplo de detalhes dos locais de aplicação de reforços em fachadas


Por fim, existem também reforços metálicos com o objetivo de estruturar camadas de espessura elevada e/ou atenuar o aparecimento de fissuras provenientes de movimentações da base, geralmente do movimento diferencial na interface alvenaria/estrutura (figura). Estes reforços geralmente são aplicados numa posição intermediária da espessura do emboço, sendo que a camada final de argamassa deve proporcionar cobrimento mínimo ao metal, inibindo sua corrosão precoce.


Reforço metálico na interface alvenaria / estrutura

O uso de telas galvanizadas para estas funções é generalizado, mas sua aplicação deve ser muito bem controlada durante a aplicação do revestimento, pois ela representa um entrave para o operário que produz por m2. Assim, seu uso deve se limitar a regiões consideradas realmente críticas pelo projetista e seu posicionamento e sua fixação precisam ser liberados pelo encarregado de acabamento (ou outro fiscal) da obra.

Também o projeto de revestimento precisa estar integrado ao projeto de alvenaria de vedação. Por exemplo, detalhes de argamassa nas fachadas podem ser previstos de antemão nas paredes de alvenaria, evitando enchimentos desnecessários. Ou, caso haja a necessidade de algum reforço específico, este pode ser posicionado na etapa de elevação da alvenaria. As fotos abaixo, por exemplo, ilustram um caso de fachada onde o ressalto (almofada) na argamassa foi previsto pela arquitetura apenas para execução na etapa de aplicação do revestimento.

Uma pequena alteração no projeto de alvenaria previu substituições de blocos de 14 por 19cm, o que proporcionou o “enchimento” necessário e eliminou a necessidade da grande espessura de argamassa do revestimento externo.
 

Alteração do projeto de alvenaria proporcionou um ressalto na fachada que seria realizado inteiramente com argamassa. O excesso de argamassa foi eliminado, o que resultou num revestimento muito mais estável e seguro.